INCORPORANDO PRÉDIOS

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PRÉDIO NA CIDADE

O plinth oferece uma forma de se incorporar um prédio na cidade para assegurar que o mesmo faça parte da rua. É o ponto de troca entre a arquitetura e a cidade, entre privado e público. Na nossa arquitetura, enfatizamos isso, assim como estimulamos essa interação e o fluxo entre interior e exterior, bem como a conexão entre a cidade e o prédio. Porém, há outras maneiras para se incorporar prédios na cidade. O plinth é apenas uma.

Primeiro, a situação urbana determina como o prédio pode ser incorporado no seu ambiente. A posição do prédio na rua é importante, bem como a largura da calçada e a orientação solar: uma localização no lado ensolarado da rua proporciona outros usos que não os proporcionados na face menos ensolarada. A presença de um pátio ou jardim e o fato de serem públicos, comunitários ou privados também determinam a interação entre os prédios e a cidade. Além disso, a solução adotada em projetos urbanos para estacionamento – dentro, fora ou embaixo de um prédio -, influencia a vida no andar térreo e na calçada adjacente.

Segundo, trata-se da criação de espaços: espaços para encontros no limite entre público e privado. A antiga “stoep” holandesa, um degrau na frente da porta, que se vê ao longo das ruas e canais dos centros urbanos históricos holandeses, é o melhor exemplo disso. O envolvimento de espaço público em projetos arquitetônicos cria um lugar que proporciona encontros entre os usuários. No conjunto residencial para estudantes Smarties, em Utrecht, a cobertura do prédio constitui um local coberto de espera e de encontros, que é acentuado por um grande balanço. Através do seu projeto, o prédio devolve espaço à cidade. Também nas escolas elementares, as áreas lúdicas podem ser projetadas como praças do bairro, mesmo com grades na sua volta. Quando bem desenhadas e não demasiadamente altas, as grades podem gerar até mesmo uso intensivo, proporcionando um local de lazer seguro para os habitantes locais.

CAMADAS DE PÚBLICO E PRIVADO

Não são apenas os espaços maiores que são importantes para se incorporar um prédio na cidade; trata-se, também, de lugares menores que formam as camadas entre a cidade e o prédio. Essa sobreposição cria uma passagem entre público e

Ilha Borneo, Amsterdam (1997–2000)

Na Ilha Borneo, na área das Docas de Leste em Amsterdã, a Marlies Rohmer Architects projetou um quarteirão que inclui dois pátios internos coletivos. O anel interior de moradias, alinhando os pátios, consiste de flats que descansam sobre um estacionamento subterrâneo. O anel exterior contém apartamentos com salas de estar-cozinhas ao nível da rua e portas do tipo “galpão”, que podem ser abertas de várias maneiras, assim estabelecendo uma relação entre a moradia e a calçada larga e pública. Isso deve resultar num ambiente de rua vital. Uma parte da calçada foi personalizada pelos moradores, como extensão da sua sala.

Bairro Transvaal, Haia (2000–2005)

O Bairro Transvaal é um típico distrito de trabalhadores, que se degradou nas últimas décadas. Muitos residentes se mudaram de lá para novos projetos de habitação, deixando uma predominância de famílias de baixa renda. Com a revitalização do distrito, ele se tornou novamente atrativo para um grupo amplo de cidadãos urbanos. O projeto consiste de vários tipos diferentes, inclusive um setor de aluguel, e unidades de um setor para venda. As entradas recuadas dos blocos residenciais criam a transição entre os domínios privados e públicos, assim reforçando a vitalidade e a segurança pública na rua. Os blocos residenciais parecem uma entidade única, porém o uso que fizemos de detalhes arquitetônicos, como reentrâncias e relevo na alvenaria (seguindo os exemplos dos blocos existentes) preserva o ritmo visual das moradias individuais.

Escola Comunitaria “Het Meervoud”, Amsterdam (2009–2013)

A Praça August Allebé está localizada em Slotervaart, um bairro com habitação desenvolvido no pós-guerra, parte de um projeto modernista. A renovação urbana de toda essa área está em pleno processo. Um dos projetos na Praça Allebé é a “Het Meervoud”, uma instituição de ensino fundamental. A “Het Meervoud” conformase adaptada à morfologia ortogonal da praça. Os playgrounds da escola estão em sua volta. Entradas, bancos e caixas para plantas fazem com que o prédio se incorpore ao seu ambiente.

privado: não apenas na fachada, mas também no desenho da rua, a calçada, a zona híbrida e a entrada do prédio. Pode ser um pequeno detalhe, como um banco embaixo da janela ou alguns degraus na frente da porta da casa. Nos nossos projetos na “Ilha Borneo” (Borneo Eiland) em Amsterdã e no bairro Transvaal em Haia, as camadas são desenhadas para envolver os habitantes na rua. Um tipo de “sensação de varanda” na frente da casa (uma zona híbrida recuada) reforça o clima social: proporciona uma oportunidade para interação espontânea sem prejudicar a privacidade. Pois, para crianças, a calçada é o playground ideal porque controle/vigilância é naturalmente presente aqui, como já foi notado por Jane Jacobs – a guru do balé da calçada. Calçadas usadas intensivamente geram controle social no qual os pais podem confiar e que beneficia as crianças. A rua constitui a cidadezinha dentro da cidade, onde todos se conhecem e se encontram.

Um andar térreo bem desenhado é essencial para incorporar um prédio na cidade. Em projetos de habitação, um erro comum é o uso demasiado de vidro no andar térreo. Transparência é exigida em todo programa de necessidades, porém, na prática, as grandes superfícies de vidro são fechadas por meio de cortinas, em razão da privacidade. O resultado é uma fachada fechada ao invés de uma transparente. Em razão disso, as janelas devem ser conforme a medida do seu uso, dos espaços interiores e da largura e altura da zona híbrida entre o prédio e a calçada. A solução pode estar numa pequena elevação de 2 ou 3 degraus do primeiro andar, acima do nível térreo, causando uma pequena diferença na altura e, junto com isso, na privacidade.

BLIBLIOGRAFIA

M. Rohmer, 2015 (no prelo). O que Aconteceu com …., Rotterdam: nai010 Publishers.

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“O QUE ACONTECEU COM...”

Nos últimos anos, a nossa empresa de arquitetura realizou uma pesquisa sobre o uso e a percepção dos nossos projetos dos últimos 25 anos: “O que aconteceu com…”. Falamos com os habitantes atuais e com os usuários, para que pudéssemos refletir sobre os ideais, os sonhos e o conhecimento com os quais foram desenhados os prédios e como eles funcionam hoje na prática. O desempenho de um projeto depende fortemente do seu grupo alvo. O status social e a cultura dos habitantes são decisivos para o grau de sua atitude introvertida e extrovertida, e como eles querem usar a zona de transição para a rua. Em alguns projetos (como o da Ilha Borneo), mesmo a área pública é apropriada pelos moradores urbanos extrovertidos, que passam muito tempo na rua e têm muito contato com os seus vizinhos. Em outros projetos (por exemplo, o do Bairro Transvaal), os habitantes são mais introvertidos e optam por mais privacidade, pois a zona de transição é menos usada. O plinth e a passagem de dentro da casa para a rua são então soluções físicas de desenho, porém o uso e a função atuais são determinados pelas gerações sucessivas de habitantes.

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