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ingredientes básicos para se achar nas nossas cidades

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Porque é importante se achar na cidade? Porque nos sentimos desconfortáveis quando não sabemos para onde ir? Porque os pedestres e ciclistas preferem certas rotas a outras? Como podemos seduzí-los a pegar outras rotas, ou a ir um pouco mais adiante? Para responder a essas perguntas, temos que olhar para a interação entre o ambiente físico e as pessoas se movendo nele – o comportamento e o sentido de bem-estar delas. Psicólogos ambientais estudam essas relações, e a motivação e percepção que estão na sua base, para tentar explicar o comportamento no espaço público.

A facilidade de se achar é provavelmente a forma mais efetiva de melhorar a experiência do usuário no ambiente urbano. Com um desenho apropriado, podemos ajudar as pessoas a chegar às suas destinações das maneiras mais fáceis e efetivas possíveis. A facilidade de se achar pode ajudar a prevenir certo comportamento, guiando as pessoas para longe de lugares inseguros, pode ajudar a promover certo comportamento estimulando-as a andar numa rota especifica, e a apoiar a economia local atraindo pessoas para destinos que precisem de mais visitantes. Duas categorias principais de desenho nos ajudam a atingir esses objetivos: o desenho do ambiente urbano e o uso efetivo de sinalização e de sistemas de informação gráfica. Olhamos primeiramente para isso. Como psicólogos ambientais perguntamos: como um pedestre pode achar o seu caminho na cidade, baseado num senso intuitivo dos seus entornos urbanos?

como as pessoas acham os seus caminhos?

Achar o caminho trata-se unicamente de tomar decisões. Quando estamos caminhando, decidimos continuamente qual caminho pegarmos ou em qual direção seguirmos. Nas decisões para achar o caminho certo, nos baseamos, na maior parte das vezes, em duas estratégias: rotas e mapeamento (1). Estratégias de rota consistem de uma sequência de instruções para chegar ao destino. Toda instrução contém a direção que vai até uma junção específica ou um ponto de orientação. Essa estratégia é eficiente, porém bastante inflexível, porque ela depende de uma rota específica. Estratégias de mapeamento integram a visão global da paisagem da cidade. O conhecimento das relações entre localizações (por exemplo, distância e orientação) é usado para tomar a decisão sobre qual direção geral seguir e, por esta razão, requer menos conhecimento detalhado local (2).

ingredientes básicos para poder se achar: estrutura e diferenciação

Uma vez que as pessoas navegam ou com rotas específicas, ou com o senso de direção global, a solução lógica é aprimorar o ambiente urbano para que ele apoie as duas estratégias. Os dois métodos à nossa disposição são intervenções que oferecem mais estrutura no ambiente urbano e intervenções que oferecem mais diferenciação. Podemos oferecer mais estrutura simplificando a morfologia urbana, alinhando as ruas e interseções, para que elas possam ser entendidas como parte de uma configuração geral (por exemplo, o modelo ‘grelha’) ou de um conceito (por exemplo, na forma de um pássaro). Através de associação ou percepção, a pessoa comum deve poder compreender a estrutura global da cidade quando ela está se deslocando no nível dos olhos.

Os ambientes urbanos com uma estrutura reconhecível facilitam a geração de uma visão de cima integrada. Porém, quando tudo parece igual, construímos essencialmente um labirinto de cercas-vivas! Então, algumas coisas precisam ser diferentes. Intervenções de diferenciação promovem a facilidade de se achar o caminho intuitivamente. A criação de zonas com identidades distintas, que são facilmente reconhecíveis, nos ajuda a entender onde estamos na cidade. Duas outras estratégias principais são o aumento de acesso visual (por exemplo, pelas vistas), para que percebamos as ligações entre zonas locais diferentes, e a colocação de marcos de referência nos pontos chaves de decisão ao longo da paisagem urbana. Em geral, mais diferenciação pode compensar a falta de estrutura. Já o contrário não acontece.

reforçar a diferenciação no tecido urbano

A diferenciação nos faz entender onde estamos, localmente. Embute a nossa compreensão do lugar, fazendo com que nos sintamos mais seguros e no controle da situação. A chave para boa diferenciação é a criação de identidades espaciais locais. Em geral, ela requer ação em três fases (3). Primeiramente, agrupamos espaço em zonas de destinação, baseados em similaridades formais ou funcionais. Por exemplo, uma zona onde o patrimônio cultural do lugar é acentuado, ou uma zona onde você acha as suas compras do dia a dia. Segundo, em cada zona identificamos unidades locais espaciais e as realçamos para que elas possam ser reconhecidas suficientemente por qualquer pessoa como uma identidade espacial separada. Isso poderia, por exemplo, significar fazer com que uma característica típica na arquitetura local se destacasse mais através da acentuação da sua cor ou forma. Terceiro, reforçamos a legibilidade de elementos funcionais no ambiente para achar o caminho: identificação de entradas, saídas, caminhos e junções. Por exemplo, fazemos com que a entrada de uma área se destaque através da colocação de algumas árvores ou uma estátua para acentuá-la como uma “porta”.

notas

1. Prestopnik & Roskos-Ewoldsen (2000).

2. Lawton (1996).

3. Arthur & Passini (1992): p. 86

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PARA UMA MAIOR FACILIDADE DE ACHAR O CAMINHO INTUITIVAMENTE

Reconhecer a necessidade de estrutura e diferenciação é o primeiro passo para melhorar as possibilidades de achar o caminho. Num nível mais alto, necessita-se de um designer que crie um engajamento com o usuário para nele incutir uma forma de atribuir significado intuitivamente. Chegar a esse ponto requer a investigação sobre quais símbolos contém um significado especial para os usuários do ambiente. Requer um conhecimento de ergonomia, rituais locais, personalidades, patrimônio cultural e características de um lugar para que a identidade do espaço dialogue com o uso e a cultura locais. Estruturas e identidades com mais empatia entre si são mais reconhecíveis e, por sua vez, mais fáceis de navegar. Para atingir essa realidade, um desenho para que as pessoas achem os seus caminhos efetivamente não pode se instalar ad hoc. Porém, com uma pesquisa bempensada, significativa, e com uma aplicação deliberada, todas as cidades com todas as suas destinações podem ser prazerosas para caminhar e se achar caminhos.

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