MORAR, TRABALHAR E BRINCAR

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LINHA DO TEMPO

1795 – 1814

Docas estabilizadas por Napoleão, como base militar

1990

Concurso Cidade ao Arroio, para planos para portos internacionais

1993

Criação do primeiro Masterplan para as Docas

2000

Criação do Masterplan por Rene Daniels

2002

Concurso de Arquitetura

2006

Os cais e armazéns históricos renovados

2011

Abertura do Museu ao Arroio

2012

Finalização do projeto de descontaminação da água e abertura da piscina flutuante em agosto

2013

Abertura do museu Pessoas Em Movimento nos armazéns históricos

2015

Realização da rede do bonde público na Eilandje

170
hectares
1.500
habitantes hoje
7.000
expectativa de habitantes
1/3
espaço público (água + cais)

CONTEXTO

Com raízes no século 16 e uma forte presença militar durante a época de Napoleão, a área da Eilandje em Antuérpia passou por mudanças massivas. Esse bairro de 170 hectares teve um papel proeminente na vida urbana dos séculos 17 e 18, porém, no século 20, passou a ser uma barreira degradada entre o porto e a cidade. O planejamento dos anos 1990 impulsionou ânimo para o revival do bairro e, depois da finalização do plano, um concurso arquitetônico abriu caminho para o novo começo da Eilandje como um bairro na orla, sustentável, orientado ao transporte coletivo e com uso misto.

DESAFIOS

Os chefes de projeto se defrontaram com vários desafios, desde do início. Primeiro, as principais parcelas do terreno da Eilandje eram propriedade da autoridade portuária, com sua expectativa de lucrar com a renovação iminente da área. Esse conflito frustrou a parceria e uma estratégia geral para o bairro. Adicionalmente, a área do projeto abrigava prédios históricos, necessitando ser preservados, terra industrial demandando mitigação ambiental e água requerendo descontaminação. Transporte até o bairro que não fosse por carro e dele para o resto da cidade foi uma preocupação chave para o crescente tráfego de pedestres. Finalmente, os planejadores tiveram que abordar a imagem do bairro – como fazer com que as pessoas fossem à Eilandje e ali voltassem mais.

SOLUÇÃO

O masterplan completado em 2000 se focou quase que integralmente no andar térreo – incluindo as superfícies d’água e os cais. O plano regulou que os pés-direitos tivessem 3,5 metros e fossem mais altos do que os dos outros andares. As seis torres residenciais também foram preconcebidas com condições para plinths funcionais; cada torre devia proporcionar espaço comercial ou público no andar térreo. Embora o masterplan proporcionasse aos líderes de projeto e incorporadores alguma inspiração, a maior inspiração veio justamente do próprio local: a fluidez do porto e a imagem de pessoas e bens entrando e saindo do porto. Eles queriam traduzir esses fluxos e refluxos na interação com os plinths da Eilandje.

Na última década, os líderes de projeto da prefeitura de Antuérpia juntaram as suas forças com as autoridades portuárias e o governo flamengo para criar um novo esquema de investimento que combinasse financiamento público e privado. As autoridades portuárias, que controlam as superfícies d’água e a descontaminação, estão agora no processo de transferir a terra à cidade, com o que se permitirá à cidade focar-se na sustentabilidade e numa estratégia global para o bairro. O governo flamengo providenciou subsídios para melhorias na esfera pública, monumentos e para financiar uma nova rota de tram. Em conjunto, e de acordo com o masterplan, os parceiros criaram um novo bairro de uso misto com uma identidade histórica e com um foco principal em alta qualidade e espaços térreos ativos.

 

O revival desse bairro é como vinho, com os anos fica melhor.

Filip Smits, gerenciador de programa, Departamento de Planejamento Urbano na cidade de Antuérpia

SEGREDOS

Ponto de equilíbrio. O revival do bairro Eilandje é um projeto sem fins lucrativos. A prefeitura de Antuérpia aplica uma estratégia de investimentos privados com incorporadores específicos, e uma segunda estratégia, baseada em investimentos pelo mercado e interesse público, para fazer com que se produza um programa financeiro autossustentável, visando o ponto de equilíbrio. Uma das atrações principais da Eilandje, o Museu ao Arroio, é um museu público de entrada livre, com um plinth (e um terraço no andar superior) aberto ao público até a meia-noite.

Dividir e conquistar. Os incorporadores mostraram mais interesse em desenvolver projetos de renovação de escala menor por um período maior. Tornar o processo de revitalização mais lento permitiu “períodos de descanso” para todos os parceiros, especialmente para os habitantes, que toleraram a construção. Esse slow urbanism, “urbanismo lento”, garantiu também muita flexibilidade e energia entre os parceiros, assim como um fluxo estável de investimentos financeiros, reprimindo os impactos da crise.

LIÇÕES

Nem tudo deve ser novo. Em razão da sua importância histórica, o planejadores e arquitetos asseguraram que, através do projeto, as pessoas ainda pudessem reconhecer e se conectar ao bairro do passado. O reuso adaptado dos armazéns e dos prédios antigos, reparando as ligações ausentes, e o reestabelecimento dos detalhes dilapidados manteve a identidade “rústica” do bairro.

Sem muros cegos. O masterplan requereu que todos os níveis térreos fossem áreas com funções públicas ou semi-públicas, para fazer com que as pessoas interajam com os plinths, as ruas e os cais – suavemente, porém enfatizando a distinção entre terra e água. Assim, não há muros cegos no bairro.

Manter contato. Em adição a manter comunicação sólida e bons contratos com todos os parceiros chave do projeto, todo ano são organizadas discussões com as pessoas que vivem na Eilandje (ou que têm interesse em morar lá). Todos os planos são comunicados aos residentes, e eles fazem observações e participam no processo de design. A câmara municipal ratifica essas reuniões e garante o impacto dos participantes.

IMPACTO

A revitalização da Eilandje criou uma extensão do centro urbano de Antuérpia, através do redesenvolvimento do terreno antigamente industrial. Atualmente, 1.500 pessoas moram no bairro e a expectativa é que esse número quase se quintuplique para 7.000 pessoas. O Museu do Arroio continua mostrando um andar térreo bem-sucedido e um destino para o bairro, e proporciona uma atração culturalmente importante para recém-chegados. A parceria entre as autoridades portuárias e a prefeitura de Antuérpia cresceu e, embora a crise atual, ambos os atores mantêm a energia, o ânimo e a paixão dinâmica pelo projeto.

FAZER

  • Manter a identidade “rústica” quando for apropriado Reusar e reparar os detalhes históricos Considerar um processo lento de um desenvolvimento que é potencialmente rápido
  • Manter horários de funcionamento das instituições culturais até mais tarde, além dos horários comerciais comuns.

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CONCLUSÃO

A abordagem do projeto, priorizando um bairro denso, de alta qualidade e sustentável, trouxe nova vida e movimento na área. Essas prioridades, em conjunto com a nova estratégia financeira, com as exigências de espaços públicos e semipúblicos no andar térreo, uma verdadeira mistura de usos e funções, e opções perfeitas de transporte, garantem plinths bem-sucedidos e ativos. O desenvolvimento do bairro leva muito tempo, porém o “urbanismo lento” permite aos líderes do projeto considerar plenamente a sua estratégia por um ambiente de morar, trabalhar e brincar.

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